Cenários de uso da terra e emissões de gases do efeito estufa atualizados para a Amazônia Brasileira

Estudo do INPE quantifica o papel do desmatamento e da degradação florestal nas emissões de CO2 até 2050.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresenta cenários de uso da terra e emissões de gases do efeito estufa atualizados para a Amazônia Brasileira. Combinando elementos qualitativos e quantitativos, o estudo acaba de ser publicado por pesquisadores do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST/INPE). Clique aqui para versão on-line do artigo.

O trabalho ajuda a elucidar o potencial e limitações das metas propostas pelo Brasil na iNDC (intended Nationally Determined Contribution), subsidiando as discussões para a COP21 em Paris. Ana Paula Aguiar, pesquisadora do CCST/INPE e uma das líderes do estudo, explica que a necessidade de elaboração de novos cenários surgiu das mudanças observadas na região na última década. “Muitos estudos discutiram o futuro da Amazônia nos anos 2000, com foco principal na questão do desmatamento. Porém, aqueles estudos foram desenvolvidos com base num contexto socioeconômico e institucional de total falta de controle do desmatamento – e mesmo seus cenários mais otimistas seriam considerados hoje muito pessimistas. A situação mudou e com ela houve a necessidade de atualizar os cenários. Porém, o futuro da região continua muito incerto. Por exemplo, embora as taxas de desmatamento na Amazônia tenham caído desde 2004, elas estabilizaram em torno de 6.000 km2/ano nos últimos cinco anos. As taxas vão cair mais, estabilizar ou subir novamente? O Código florestal será cumprido? Como o passivo ambiental será regularizado? Os altos índices de degradação florestal atuais serão revertidos? As respostas dependem de uma série de fatores, externos e internos – em especial, do modo como os governos e a sociedade irão lidar com a demanda por terra e commodities nas próximas décadas. Mas os novos cenários que propomos não se limitam às questões de recursos naturais e uso da terra. Eles são abrangentes, incluindo explicitamente a dimensão social como eixo de discussão. Temas bastante importantes, tais como a urbanização caótica e a desigualdade de acesso aos recursos na região também foram abordados”, ressalta a pesquisadora. Leia mais.