O legado de uma loba

 O legado de uma loba 

Lobinha, um dos maiores símbolos de esperança para o lobo-guará no Brasil, morreu atropelada em uma estrada de terra vizinha ao Parque Nacional da Serra da Canastra.

ANGELA KUCZACH*

No início deste ano dois renomados conservacionistas, Maria Tereza Jorge Pádua e Marc Dourojeanni, visitaram o Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. O casal criou mais de 10 milhões de hectares em Unidades de Conservação pelo mundo e viu de perto maravilhas naturais que poucas pessoas conseguirão apreciar na vida.

Lobinha, um lobo-guará resgatado e reintroduzido no meio ambiente. Ela foi atropelada e morreu cerca de um mês após ganhar a liberdade (Foto: Rogerio Cunha de Paula)

Ambos saíram de lá horrorizados com o estado de abandono do Parque, que de um dos lados (o Sul) sequer é manejado como tal. Entre os motivos da indignação está a falta de regras para atividades de turismo, permitindo que, por exemplo, praticantes de motocross percorram a UC causando transtorno para a fauna e alto impacto para o frágil ecossistema, com erosões e voçorocas, entre outros. Como justificativa, moradores dessa região alegam que como nunca foram indenizados pelo poder público por suas terras, têm o pleno direito de utilizá-las para outros fins.  A despeito da razão quanto a falta de indenização para regularização fundiária, da falta de educação e conscientização ambiental, quem perde é a já maltratada biodiversidade do Cerrado….